A parte lúdica que diz não…

Junho 20, 2008 at 5:02 pm | In Posts | Leave a Comment
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O mesmo café

Dígitos, números, linhas, retas, corredores, cafés e cigarros. Eu saio desta rotina todos os dias as 17:00 horas, nem mais, nem menos. Como é fácil de identificar pela minha aparência tenho uma daquelas profissões sérias, terno, camisa, gravata, calça social e sapatos lustrados. Minha jornada começa cedo, as oito da manhã bato o meu cartão, como de costume, o “bom dia” a todos do escritório, todos que possivelmente podem aparecer em minha frente em troca disso todos retribuem, mesmo não tendo um bom dia.


Ocupo um cargo de merda há quatro anos e isso me incomoda, não julgo pela minha competência, mesmo porque me acho um ótimo funcionário mesmo não gostando do que faço. Os que passaram por mim com certeza já estão cansados de puxar o saco dos patrões ou se é diferente dormiram com alguém de cargo maior. Mais um café, mais um cigarro. A faxineira daqui quando me vê saindo para fumar sempre diz que a cada cigarro que eu fumo eu deixo de viver um minuto da minha vida, respondo sempre a ela fingindo ser um cara com a vida Sapir agitada:

- Tudo bem, desde que os outros minutos sejam aproveitados eu posso abrir mão desses poucos minutos.


Minha vida, embora eu quisesse, não é muito agitada, a aproximadamente dois anos sai da casa dos meus pais e fui em busca dessa tal liberdade de ficar sozinho por noites e noites, eles não se opuseram, deixaram claro que eu iria fracassar e que quando eu quisesse meu quarto estaria lá, intacto. Acostumei-me a ficar sozinho, às vezes a solidão pode ser uma ótima companhia, com o tempo descobri que ela deve ser uma espécie de parente da tal chamada liberdade.


Faz algum tempo conheci uma menina Aline, branca, cabelos loiros, cochas firmes, seios pequenos, lábios finos, julgava conhecer poesia e participar de sarais pela cidade, dizia-se “parceira da liberdade”, eu achava aquilo um pé no saco, mas só para não ficar sozinho a deixava freqüentar o meu apartamento. Entrava, saia, sumia e voltava. Aline nunca deixou contatos ou mesmo endereço de onde morava, eu também nunca fiz questão que deixasse. Às vezes ficava dias, às vezes ficava horas. A conhecia na fila da padaria aqui da esquina, quando a avistei ao meu lado pensei: “o que eu tenho a perder?”. Chamei-a para conhecer o meu apartamento e subimos no mesmo instante. Os pães ficam sempre para o outro dia…


Seis de trinta da manhã, barba, cigarro, café…

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